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8 March

HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 
 
 
 
 
 
O Homem e a Mulher
Victor Hugo


O Homem é a mais elevada das criaturas, a Mulher é o mais sublime dos ideais!

Deus fez para o Homem um trono, para a Mulher, um altar. O trono exalta, o altar santifica!

O Homem é o cérebro, a Mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração, amor. A luz fecunda; o amor ressuscita!

O Homem é o gênio, a Mulher é o anjo... O gênio é imensurável; o anjo, indefinível!...

A aspiração do Homem é suprema glória; a aspiração da Mulher, a virtude suprema... A glória traduz grandeza, a virtude traduz divindade!...

O Homem tem a supremacia; a Mulher, a preferência... A supremacia representa a força, a preferência representa o direito!...
 
O Homem é forte pela razão; a mulher é invencível pela lágrima... A razão convence, a lágrima comove!...

O Homem é capaz de todos os heroísmos; a Mulher, de todos os martírios... O heroísmo enobrece; o martírio sublima!...

O Homem é o código; a Mulher, o evangelho... O código corrige; o evangelho aperfeiçoa!...

O Homem é o templo; a Mulher, um sacrário... Ante o templo, nos descobrimos; ante o sacrário, ajoelhamo-nos!...

O Homem pensa, a Mulher sonha... Pensar é ter cérebro; sonhar é ter na frente uma auréola!...

O Homem é um oceano; a mulher, um lago... O oceano tem a pérola que o embeleza, o lago tem a poesia que o deslumbra!...

O Homem é a águia que voa; a Mulher, o rouxinol que canta... Voar é dominar o espaço, cantar é conquistar a alma!...

O Homem tem um farol: a experiência; a Mulher tem uma estrela, a esperança... O farol guia, a esperança salva!...

Enfim, o Homem está colocado onde termina a Terra; a mulher, onde começa o Céu!...

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES

O AMOR DE MEU FILHO PELAS MULHERES

Fabrício Carpinejar



Vicente foi comprar flores comigo. Sua estréia na escolha de arranjos para sua mãe.

O mais curioso é que ele me compreende com o franzir dos ombros. Pai e filho. Um sinal e estamos alinhados. Não digo nada, e ele intui. Nunca extravaso minhas segundas intenções, ele pega no ar.

O guri estava com Ana, e despistei:

- Vicente, tenho que procurar cola. Vem comigo?

Ana não desejava perder sua companhia na loja: "Mas tinha um tubo na semana passada".

Vicente logo tomou a dianteira da conversa e corrigiu: "Não tem mais, precisamos buscar"

Ao sair comigo, explicou que não era uma mentira.
- Eu não menti, usei uma lembrança velha.

Empregou a recordação da última semana de fevereiro.
- Pai. Se eu mentisse, ela não acreditaria.

Descemos a rua para a nossa floricultura (nossa é modo de dizer, freqüentamos sempre a mesma floricultura, o mesmo açougue, o mesmo mercado, a mesma tabacaria). A cidade é fiel.

Optamos por um buquê de rosas colombianas. Uma dúzia.
- Meia dúzia é metade do amor, comentou. Uma dúzia, não resta dúvida.

Aceitei seus argumentos. Ele é mais romântico do que eu.

Ficamos na salinha em que as mulheres preparavam o buquê.

A rosa é balão de aniversário. Uma rosa é soprada para se abrir. Antes de qualquer mulher receber, um pulmão visita suas pétalas. Aquece as paredes rubras. Vicente soprou, o linho da flor coçou sua boca. Riu, soprou de novo, e o miolo girou como ponteiro de uma bússola, do norte para o sul do seu rosto.

- Ela me olhou - ele pulava. A rosa me olhou!

Depois escrevemos juntos o bilhete. Recusamos o bloco de rascunhos. Pela primeira vez, Ana receberia cartão de dois homens. Eu anotei minha dedicatória, ele assumiu a caneta e redigiu: “Amo e Amo e Amo e Amo e Adoro para Amar”.

Não poderia ser mais perfeito.

De volta para o sol da calçada, ele segurava o buquê, altivo e abençoado. Um colete de ramos verdes.

- Eu seguro bem?
- Sim, meu filho. É importante caminhar com as rosas para que elas possam sentir o que você está sentindo pela pessoa que ama. Tanto que eu prefiro entregar pessoalmente a mandar alguém em meu lugar. As rosas são atentas.

- Pai?
- O quê?
- Estou com vontade de chorar. As rosas vão chorar comigo?
- Chora. Deixa a mãe secar suas lágrimas.

24 December

O QUE DEUS PENSA DO NATAL?

 

 

 

 

O QUE DEUS PENSA DO NATAL?

Eu e vocë que me habita os meandros do coração sabe que Natal se tornou uma data quase que totalmente comercial e pagã, no entanto quando vemos o profeta Isaías( Is 9) falando do nascimento de Jesus podemos perceber o que Deus( Espírito Santo) pensa a respeito do Natal( Bem, assim atrevo-me a interpreta-lo!) Deus pensa que o Natal é saída das trevas e entrada na luz; pensa que Natal é o desembotar de percepções, livramento e iluminação do ser(v.2). Pensa que Natal é alegria e exultação, é como andar bobo pelas grandezas de Deus(v.3). Deus pensa que Natal é passaporte pro homem andar livre, sem cadeias, sem jugos e sem ditaduras, mesmo as estéticas em nome da religião que pensa que sabe quem é Deus e o que Deus pensa, mas não sabe nada a não ser sua própria estupidez(v.4). Deus pensa em Isaías que Natal que o único sangue que deve servir de memorial é o da cruz( v.5). Deus pensa que Natal é um presente histórico-cósmico, posto que o presente não é nada comprável. Nem mesmo criado é. O presente é o Filho de Deus(v.6a,b). Deus pensa que o Natal é o estabelecimento na história e na alma indelével do Reino de Justiça(v.6c). Pensa que Natal é milagre, plenitude(v.6d); sabedoria no desespero(v.6e); força na fraqueza e fraqueza-que-é-força, posto que não é força em si mesmo, mas força-Nele(v.6f). Deus pensa que Natal é a morte tragada pela vida, a corruptibilidade tragada pela incorruptibilidade, a temporalidade tragada pela eternidade(v.6g); que a des-graça que traz desespero e dor é arrebatada por uma paz imarcessível, que não se entende äs vezes, absurda porque se apresenta em momentos os mais terríveis e tempestuosos; paz que brota de uma fé entretecida com fios de inverossimilhança(v.6h). Deus pensa em Isaías ainda que o Natal é a construção de um trono fixo além de tempo e espaço antes da fundação do mundo, mas revelado na encarnação do Cristo e que Natal é homem e anjo, e demônio, e principado e potestade, e forças históricas e tronos humanos proclamando que  O QUE NASCEU temporalmente, tendo jamais nascido em atemporalidade é O QUE receberá toda honra, majestade, glória, domínio, e todo joelho se dobrará diante dEle, nos céus, na terra e no abismo(v.7).

 Que todos nós vivamos e reflitamos Natal do jeito que ele é na mente do Espírito!

Beijo gostoso no ser!

 

Yeshua Shalom!

Paulo Rufino 

11 October

OPINIÃO

 

 

 

 

 

 

TROPA DE ELITE

 

Tropa de Elite é um filme tão impressionante que já era discutido pelos quatro cantos do Rio de Janeiro cerca de dois meses antes de ser lançado (uma cópia pirata do filme vazou e em cada banca de camelô espalhada pela cidade já se podia ver o filme a venda, mesmo não concluído e com péssima qualidade). A pirataria vitimava mais um filme nacional, e ironicamente, um que fala do combate ao crime.

 

O filme é ambientado no ano de 1997 e descreve o dia-a-dia da Tropa de Elite da PM (o BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais), uma espécie de S.W.A.T. do Rio de Janeiro, treinada com mais rigor e perícia que o exército americano ou israelense.

 

No filme,  Wagner Moura interpreta um capitão do BOPE  (Capitão Nascimento) que quer deixar a corporação e tenta encontrar um substituto para seu posto. Paralelamente dois amigos de infância se tornam policiais – Neto (interpretado por Caio Junqueira) e André Matias (interpretado pelo desconhecido, porém surpreendente André Ramiro). Esses dois novatos honestos e honrados na realização de suas funções entram na polícia com uma visão exacerbadamente romântica e ingênua a respeito da instituição e acabam se indignando com a corrupção existente no batalhão em que atuam. Deparam-se com um sistema parasitário onde a polícia se “nutre” do crime e onde o crime se “nutre” da omissão da polícia, seja por medo, seja por estar na “folha de pagamento” dos criminosos. Crime e polícia se temperando um no outro, se imiscuindo um no outro até o ponto de não se discernir quem-é-quem.

 

O filme apesar de, ao meu modo de ver, parecer apologizar um combate maquiavélico da violência (vi gente na sala aplaudindo em coro a cabeça de um bandido sendo estourada com uma 12 por um agente do BOPE), onde tudo vale pra combater a violência, mesmo violências maiores; tudo vale pra combater o crime, mesmo quando o crime que se comete pra se combater o crime é ainda maior que o crime original. Isso faz da dita Tropa de Elite um tanto estúpida posto que a faz em nome da lei des-lei-xá-la; em nome da vida para a qual é treinada, matar sem compaixão fazendo às vezes de acusador, juiz e carrasco; e em nome do povo a quem jurara proteger, ser capaz de se voltar contra ele mesmo desde que pra isso um bandido tombe do meio da multidão. Sendo assim, violência gera mais violência e cria-se uma ciranda interminável onde a lei é sufocada até mesmo por quem deveria cumpri-la. Ora, o bandido tem sua existência pautada no descumprimento da lei, mas as forças policiais não podem se tornar bandidos em trajes oficiais. Logo já não existe mais mocinho e bandido. Todos são bandidos. Não existe a luta do bem contra o mal e sim a luta do mal contra o mal, talvez um mal maior é verdade (não posso ser hipócrita), mas mal não se vence com mal, porque mal e mal não se chocam, se misturam, “trocam as tintas” como diz um louco amigo meu. Isto porque todo mal que se usa pra reprimir o mal se torna um mal-maior. Mal não se vence com mal, se vence com bem.Não estou sendo ingênuo ou alienado pensando que alguém deva subir o morro com rosas nas mãos, não é isso que digo! O que digo é que o olho-por-olho, dente-por-dente não reprime o mal. Veja que isto estava na própria lei de Deus. Contudo, aquela lei não fora dada por Deus, penso eu, para ser cumprida, mas sim percebida como inexecutável. O olho-por-olho, dente-por-dente não era o desejo perfeito de Deus para o homem, mas sim um convite às percepções deste, de que essa lei não pode ser possível, posto que se tudo for no olho-por-olho, dente-por-dente quem subsistiria? Todos somos maus intrinsecamente. A mesma bandidicidade que habita intrinsecamente o bandido, habita o que não é. Basta que se lhe aflore! O mal não é de poucos, é de todos. Está na natureza caída! Logo, a lei desejava ser aquilo que levasse o homem à percepção de que necessitava da graça; de que  a retribuição na mesma moeda precisava ser substituída por algo com mais sentido existencial, no caso o perdão. Enfim, o combate do mal precisa ser algo com real sentido existencial. Mata-se um bandido, cria-se uma legião. Sim, porque a própria forma que se utiliza para reprimir o banditismo é bandida. É causadora de mal não de bem! Logo, é uma guerra sem sentido!

 

Sim, a conduta da polícia abordada pelo filme é burra, é estúpida, embora o filme seja brilhante. E brilhante porque além disso que disse, faz borbulhar ainda  uma série de verdades nuas-e-cruas, sem maquiagens e sem retoques de romantismo do que é realmente a relação crime organizado-Estado-Potestades Policiais-sociedade.

 

Uma dessas verdades é que a guerra quase que civil que existe nos morros do Rio e de outras metrópoles do Brasil é uma guerra alimentada pelas potestades humanas tanto quanto ou mais que pelas potestades do inferno.  Há uma frase chocante diante dos embates de consciência oferecidos pela trama: “Policial honesto ou se corrompe, ou se omite, ou parte pra guerra”. E uma primeira conclusão é a de que se alguém não se vende, nem se omite, é tragado pelos que exercem poder superior, sendo inclusive oferecidos como holocausto,como sacrifício em nome da “ordem” entre o poder e o poder paralelo.

A segunda conclusão é a de que se algum que se recusa a não ser corrompido nem se calar diante do sistema e resolver partir pra guerra será achatado por ela. Essa guerra torna-se invencível posto que mais do que uma guerra com armas, é uma guerra com “caneta” de poderosos; uma guerra de “gavetas”. Mostra-se no filme que os tiros que se brotam dos fuzis são conseqüência do que se faz e do que não se faz nas altas esferas do poder...mostra que os bandidos que empunham as armas são alimentados pelos que tem o poder político de fazer e não fazem, seja porque a população violentada se torna massa de manobra política, isto é, a violência precisa existir para que existam candidatos a heróis (o que faz dos violentados vítimas dispensáveis e os bandidos um mal necessário), seja porque “todos têm seu preço” e quando o dinheiro fala não existe verdade e mentira, ordem e desordem, justiça e injustiça – toda consciência se esfacela...

 

Desnuda-se também a hipocrisia das elites. “Playboyzinhos” e “patricinhas” que não vivem sem um baseado ou sem cheirar “pó” e que se prestam a questões sociais e passeatas em nome da paz! Ora, o consumo da droga alimenta o crime! Cada baseado que se aperta e cada fileira de pó que se cheira é o patrocinar do crime, é o recrutamento de um novo garoto para ser mula ou fogueteiro, é o investimento na compra de uma arma de fogo por parte dos traficantes, é o sustentador do tiroteio que explode a cabeça de uma criança ou de um pai de família inocente que sobe o morro em busca do seio da família.

 

Assim como o diabo se alimenta do pó da terra, ou seja, da produção humana, do pecado, do próprio homem, o crime organizado e o mundo do narcotráfico se alimentam dos viciados. E daí não adianta trabalhar em ONG falando em tirar criança da marginalidade ou vestir camiseta branca com foto de vítima e sair pela rua com vela na mão. Manifestações hipócritas! Uma certa atriz da Globo que em todas as manifestações pró-paz (desde o movimento Viva Rio quando o Betinho ainda era vivo) sempre aparece às ruas com “cara-de-madalena-arrependida” é conhecida “chincheira”. Um amigo que presta serviços à emissora confidenciou-me que essa celebridade come cocaína no café da manhã!!! Hipocrisia deslavada! Ninguém pode ser reprovado naquilo que aprova, ou será que essas pessoas elitizadas não têm noção do quanto contribuem para as mortes que se dignam a protestar? Ademais, o pior bandido é aquele que não sabe que é bandido; que se assenta em mesas suntuosas em apartamentos milionários na Barra, no Leblon, em Alphaville ou no Batel pra um bacanal tóxico do que o bandido pé-rapado. Porque um é fruto do meio, outro faz o meio! Quem mais sabe mais é culpado! Junto com grandes poderes, sejam eles políticos, econômicos ou de influência, vêm grandes responsabilidades. Assim sendo, estes são os fariseus contemporâneos. Por trás de suas ações de combate a algo que eles mesmo nutrem e às vezes são os maiores consumidores, existem motivações nefastas, e daí a coisa vai levando mais e mais a nossa sociedade para o abismo.

 

Admito que saí daquela sala de cinema mexido por dentro. Satisfeito pela coragem das denúncias que foram feitas, pelo alerta que certamente lançará a sociedade e pela discussão que se intensificará a respeito do tema, posto que já há mesmo por causa da contravenção das cópias piratas. Todavia saio preocupado porque não vejo como se dissolver esse sistema possesso a não ser pelo governo teocrático, onde quem impõe a ordem não são os “homens de preto” do BOPE ou de quaisquer potestades repressivas, mas sim “homens de branco”, cujas vestes foram lavadas pelo sangue do Cordeiro! E sinceramente, isso só será consideravelmente possível quando se estabelecer o reinado milenial!

 

Maranata! Ora vem Senhor Jesus!

 

Abraço gostoso no ser!

 

Yeshua Shalom!

 Paulo

26 September

CARTA ABERTA

 

 

 

 

CARTA ABERTA AO SENADO FEDERAL

PAULO RUFINO

 

Excelentíssimos Senadores da República Federativa do Brasil,

 

Meu nome é Paulo Rufino. Sou pastor evangélico. Os senhores não me conhecem, pois não sou um pastor da mídia. Não sou famoso.Não tenho holofotes sobre mim. Não tenho programa de TV, nem sou consultado pelos jornais nem pela VEJA, Época ou Istoé em quaisquer polêmicas que digam respeito à questões de fé. Sou um anônimo. Alguém da massa, do povo, um alguém na multidão, aliás, uma pálida figura na multidão. Entretanto, isso não me torna menos digno como ser humano, como brasileiro, como cidadão que tem um RG, um CPF, que vota, que paga impostos e que numa democracia tem direito a fazer ouvir sua voz! Quanto aos Senhores, apenas os Senadores Magno Malta e Marcelo Crivella já me foram apresentados, já estive frente-a-frente, cara-a-cara. Aos demais, só fui apresentado pela mídia, posto que são figuras públicas da mais alta patente do Poder Legislativo.    

 

O que me incitou a escrever aos Excelentíssimos Senhores é a iminente votação no Senado Federal à chamada LEI DA HOMOFOBIA(PLC 122/2006), que no seu texto caracteriza toda manifestação contrária ao homossexualismo como homofóbica, e que caracteriza como crimes todas essas manifestações! Ora Vossas Excelências!, como cristão só me resta repudiar a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, posto que homofobia é repúdio, ódio, aversão ao homossexual – repulsa essa que instiga até mesmo a várias formas de violência e exclusão social( coisas que como ministro do Evangelho igualmente repudio!). Nós amamos os homossexuais enquanto pessoas, embora não amemos a prática homossexual. Assim aprendemos de Jesus Cristo. Não é uma lei humana senão a lei do amor divino, que ama o ser humano com suas anomalias e ambigüidades sem que com isso, sejam aprovadas as suas escolhas e tendências.

 

 Nesta carta que humildemente eu solicito que dêem atenção, gostaria de postular algumas coisas com os Senhores:

 

1. Que os Senhores creiam que “estão” senadores porque essa foi a vontade de Deus, posto que toda autoridade é constituída por Deus( Rm 13.1). Todos quantos se encheram de ensimesmamento e altivez se viram achatados pela História e solapados pela tragédia. Jesus disse a Pilatos que nenhum poder ele teria se não fosse dado do Alto(Jo 19.11). Segundo São Paulo, as autoridades são ministros de Deus( Rm 13.4), logo, antes dos Excelentíssimos serem Senadores da República do Brasil,  são ministros de Deus, levantados por Deus com a missão de fazer o bem.

2. Que os Senhores reflitam que ao aprovarem esta lei estariam estuprando a liberdade religiosa assegurada a todo cidadão brasileiro à exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; violentando a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, a liberdade de consciência – questões estas asseguradas pela Carta Magna –  a Constituição Brasileira –  e que se comprometem a manter o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso país.

3. Que os Senhores saibam com a alma que a família foi constituída por Deus segundo ensinam as Escrituras Sagradas com uma diferenciação sexual(homem e mulher) e é a mais antiga instituição do kosmo, possuindo propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “…desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11). Logo, o heterossexismo não é uma ditadura xenofóbica imposta ou uma violação dos direitos dos homossexuais( semelhante ao racismo como afirma o movimento GLBT), e sim, o modelo humano de intimidade e vinculação e a referência de saúde humana desde o princípio. Deus criou Adão e Eva! Não foi Adão e Ivo, nem Ada e Eva. Tampouco Adão sendo homem tinha psique feminina, sendo “homem” o próprio significado do seu nome, ou Eva, um homem psicológico em corpo de mulher! “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” ( Gn 1.27) - reenfatizo. Ser macho e fêmea é intrínseco do ser! Logo, ser “além-gênero”(transgênero) não é privilégio, nem motivo de vanglória, e sim a negação do eu-que-se-é em troca de um eu-que-não-é-mas-que-se-quer-ser, ou seja, ser além-gênero é degradar o ser do jeito que ele é. É ser aquém-gênero! É o desespero do negar a própria natureza. É uma tentativa psicológica mormente inconsciente de suprimir a culpa da dis-função com contornos de normalidade. Apologizar o “transgeneralismo” sexual é mais ou menos a conduta do louco que em raro momento de sanidade tenta fazer de todos os outros seres loucos para que se sinta mais normal!Assim o louco se torna normal e a loucura ortodoxia! Como dizia o filosofo dinamarquês Kierkegaard, “a intensidade do desespero aumenta com a consciência”, sendo assim, vejo os GLBTs como almas que necessitam cauterizar as próprias consciências e a consciência da sociedade in totum para expurgar seu desespero latente! Ainda diz o filósofo que diante do desespero as pessoas tendem a pensar na maneira de se tornar um outro e o desejo do desesperado é a mais extravagante de todas as metamorfoses, apaixonado pela ilusão de que se pode mudar o “eu” como se muda de casaco!

4.Que os Excelentíssimos Senhores levem em conta que ninguém nasce homossexual. Absolutamente nenhuma pesquisa no campo da genética provou que o homossexualismo procede de mutações de natureza genético-psíquicas, como muitos querem doutrinar. Salvo raras exceções de ordem espiritual, toda homossexualidade é de natureza psicológica.  Trata-se de uma disfunção na estrutura da alma provocada por abusos psicológicos. As relações parentais e familiares, a cultura e a vida social, com seus referenciais e seus abusos físicos e psicológicos exacerbam as múltiplas tendências anômalas que todo ser humano traz introjetado em si. Não nego aos senhores que muitos de meus colegas, seja por simplismo, seja por ignorância, chamam esses distúrbios de “sem-vergonhice”. Eu como pastor, tenho acompanhado de perto a luta de muitos para vencer essas pulsões e compulsões — quase sempre originadas das causas que expus anteriormente—,  gente-que-não-quer-querer-o-que-quer, gente-que-não-gosta-de-gostar-do-que-gosta, nem quer que outros sejam vítimas de seu flagelo. 

5.Que os Excelentíssimos Senadores da República não reneguem suas criações cristãs deixando-se subverter pelo darwinismo evolucionista que vulgariza, banaliza ou descrê totalmente que Deus criou Adão e Eva. Sim, porque se assim for, não existe ortodoxia sexual. “Tanto faz como tanto fez”. Se não somos frutos de um projeto perfeito de Deus e sim, fruto de um acidente cósmico-bacteriano, de um caldo primordial, então não existe homem e mulher, macho e fêmea. Tudo é relativo! Nosso comportamento sexual é simplesmente um produto sócio-cultural, o resultado das impressões psicológicas ou de uma carga genética acidentada desde o “acidente original”. 

6.Que os Senhores não se equivoquem pela hipocrisia de normalizar o que é anormal e “ortodoxizar” o que é heterodoxo, como discorrido na minha terceira postulação. Sim, porque muitos dos que assim defendem a conduta homossexual não suportariam ver seus filhos ou netos protagonizando as cenas das “paradas gays” que as TVs não mostram – cenas essas chocantes e desprovidas do romantismo que tão de perto se agrega ao movimento gay. Quase a totalidade dos que eu conheço que defendem o movimento gay-lésbico o defende só até ao ponto que não envolve seus próprios filhos e parentes. São semelhantes àqueles que dizem que não são racistas até que o filho ou a filha brancos como copos de leite cheguem em casa com um parceiro negro e diga-lhes que encontraram o(a) homem(mulher) de suas vidas! “Daí a casa cai”! Isso não é a mais deslavada hipocrisia?! Ora vejam que ninguém pode ser reprovado naquilo que aprova! Pensem bem nisso!Não cauterizem suas consciências nem se façam “loucos”( por favor, a palavra loucos tanto aqui como na terceira postulação é usada apenas de forma retórica não psíquica) para tornar os “loucos” mais normais! Não anuam a comportamentos aberrativos como se os tais fossem virtudes, nem se “desesperem” diante da vossa responsabilidade de promover uma sociedade igualitária, justa e humana legitimando o desespero de pessoas que querem negar suas naturezas, sendo assim, negando a criação de Deus como ela é! 

Com toda humildade e respeito, peço que recebam esta minha carta e busquem a orientação de Deus( Aquele que vos constituiu o que sois!) antes de votarem esta LEI DA HOMOFOBIA. Espero que ela não tenha sido aos vossos olhos como o grito de um fanático (o que sei que não sou!), mas um apelo sensato e visceral em favor da saúde da sociedade, da família, da moral, da ética, dos princípios cristãos e da liberdade da Igreja se expressar profeticamente em relação àquilo que considera a Verdade do Evangelho. Se não for assim o vosso julgamento, de antemão quero que saibam que estarei disposto a suportar cadeias e prisões, mas não serei refém de nenhuma lei humana, senão a do meu Deus!

 

Graça, paz, misericórdia e sabedoria aos Senhores Senadores!

Yeshua Shalom!

 

Paulo Rufino

 

23/09/07

Ilha do Governador

Rio de Janeiro

 

 

Esta carta foi enviada a todos os Senadores do Brasil.

 

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REFLEXÃO

 

 

 

 

 

 

 

O CONHECER A DEUS

 

 A alma que conhece a Deus, conhece portanto, o Inimigo e seus ardis, posto que quem conhece a Deus conhece o anti-Deus...quem conhece O QUE É, conhece O QUE NÃO É, mesmo que esse QUE NÃO É sempre se disfarce QUERENDO SER para enganar os que não conhecem na intimidade O QUE É E SEMPRE SERÁ!

 
 
Yeshua Shalom!
 
Paulo
 
 

REFLEXÃO

 
 
 
 
O TAPETE DO SER 
 
 
Estive meditando esse fim de semana que a condução da nossa vida é como o tecer de um tapete...
 
Enquanto o tapeceiro vai tecendo não passa de um monte de linhas desencontradas e de um borrão de figuras sem sentido. Quando se olha do avesso igualmente não se tem noção do que se está sendo criado, da grandiosa beleza que se desenha e que irromperá em graça e valiosidade. Mas quando a peça está pronta, vê-se a sua beleza em todo o seu esplendor e entende-se que linhas desconexas nem sempre redundam em fins desconexos, que desencontros nem sempre denotam que não haverá um encontro no fim, e que borrões aos olhos dos outros( quando vistos de outro ângulo, do outro lado) pode ser a mais bela estampa do ser!
 
 
Yeshua Shalom!
 
 
Paulo

DEVOCIONAIS

 

 

 

 

SABEDORIA

 

Segundo a percepção de Pv 30.24-28 vê-se que há ironia até na sabedoria, posto que a postura sábia não vem por Deus endossada por seres poderosos, mas por 4 bichinhos frágeis, diria eu desprezíveis: a formiga, o coelho, o gafanhoto e a lagartixa.

 

Veja o porquê de sua sabedoria: a formiga, sem força mas que sabe reconhecer, discernir as estações e as oportunidades;  o coelho que é débil, mas por reconhecer essa debilidade só habita sobre a rocha; o gafanhoto que não tem rei, mas só anda em bando, ou seja, sabe que só pode avançar quando tem ajuda e companhia de outros, e  a lagartixa que se pode apanhar com as mãos, mas habita até mesmo os palácios dos reis, vive sem os pés no chão, vive com os pés no alto, "anda altaneiramente" como diz Habacuque...

Então percebo pelo exemplo desses seres lânguidos-por-fora, mas sábios-por-dentro, que não posso embotar meus tirocínios, não posso deixar escapar nenhuma grande oportunidade, pois "há 3 coisas que não voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida";que devo ficar sobre a Rocha que é Cristo,pois quando me sinto forte aí é que sou fraco,  e quando sou fraco aí é que sou forte: é a doce contradição do poder; que tenho que contar com ajudas, braços, afagos e mãos que me impilam, e que devo andar altaneiramente, de peito aberto e de cabeça erguida diante da vida, sabendo que em Deus nascemos para andar assim na existência: no alto, nunca nas cisternas!!!

 

 

Yeshua Shalom!

 

Paulo 

REFLEXÃO

 

 

 

 

 

SUPER-HERÓIS

 

 

Eu sou daqueles que já quiseram ser super heróis, mas aprendi que ser ser-humano é melhor! Ser herói é um arquétipo meio infantil, de querer ser o que não se é! De demonstrar que tem poder quando se sente fraco por dentro.Eu já tive minha fase de super herói quando precisava me sentir forte, posto que na alma eu era fraco. O super-herói ironicamente é aquele que derrota os monstros exteriores e salva o mundo, mas que se vê etereamente atormentado por seus próprios fantasmas...

 

Yeshua Shalom!

 

 

Paulo 

8 March

POEMA

 

MINHA HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES, QUE SÃO TODOS OS DIAS...
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O QUE TE FAZ MULHER

 

O que te faz mulher é essa virtude que brota de dentro

E esta beleza que te molda por fora.

 

O que te faz mulher é essa sensibilidade que te faz frágil no olhar,

Mas que te faz fortaleza no âmago.

 

O que te faz mulher é essa força-estranha que é fraqueza,

E essa fraqueza-estranha que te dá o poder de todas as seduções.

 

O que te faz mulher é esse corpo cheio de tantas curvas,

E essa alma cheia de tantos sonhos paradoxalmente des-sinuosos.

 

O que te faz mulher é que fostes feita do sonho,

Enquanto o homem foi feito do barro;

Fostes feita do que transcende, do ludismo do ser

Enquanto o homem foi feito do que é de mais terreno.

 

O que te faz mulher é esse sexto sentido que sente o que não se sentiria

se aquele que sente não se sentisse tão enlevado pela falta de sentidos

que só você faz sentir...

Porque você mulher tem o poder de sentir, de gerar sensações e de entorpecer.

 

O que te faz mulher é ser tão-somente mulher,

O resto é frivolidade do cosmo...

 

Paulo   

7 March

ÁPICE

 

 

O Desespero da Piedade

Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.

Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina

Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.

Tende imensa piedade dos músicos de cafés e de casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam o silêncio
E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.

Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.

Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Quem em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão...

Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão mas são humildes nas suas carícias
Mas tende maior piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!

Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Quem lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.

Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tente mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.

Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.

E no longo capítulo das mulheres , Senhor, tenha piedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!

Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta — que o homem não presta, não presta, meu Deus!

Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Os olhos perdidos e o seio na mão.

Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.

Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.

Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.

Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.

Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçadas
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.

Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres 
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto alegria e serenidade.

Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.

Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.

Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.

Tende piedade, Senhor, das santas mulheres,
dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!

 

Vinicius de Moraes

ÁPICE

 
 
 
Soneto do Orfeu

São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes

ÁPICE

 
 
 
O PODER DAS MULHERES
Caio Fábio
 
 
 
As mulheres são os seres mais poderosos da Terra. Sexo frágil? Qual? Na realidade o que se deveria dizer é que sexo é o fraco dos homens, e o forte das mulheres. Como? Ora, desde sempre foi assim. A própria narrativa do Gênesis diz que a mulher foi quem persuadiu o homem a comer do fruto. Sim, a mulher tem poder para fazer o homem comer qualquer fruto.

De fato, tal poder de persuasão decorre dessa força frágil, que geme, que pede, que insinua, que paga com “alegrias”, que põe o homem no caminho do desejo de possuir, sem saber que ele é o possuído; isto quando a mulher é sábia.

Na minha maneira de ver não há nada de errado em possuir tal poder. Afinal, essa persuasão é uma dádiva divina. O problema é que na maioria das vezes esse poder é usado de modo burro e insensato. Sim, porque ao invés de se persuadir para o que bom, para o que concilia e promove a paz, e para tudo aquilo que possa ser sedução da sensatez, essa força é, muitas vezes, apenas usada para manipular e para negociar com o homem, e nos termos distorcidos dos machos.

Assim, esse maravilhoso poder passa a só ser percebido como sedução sexual, e quase nunca como poder para exercer a persuasão da sabedoria. Isto porque é minha convicção que toda mulher que decide usar esse poder para o bem, vem a tornar-se o ser mais desejável e bem-aventurado que pode existir na vida.

Infelizmente, no entanto, as invejas, as vaidades, as competições pequenas, e a mesquinharia, acabam por fazer com tal poder acabe por ser quase sempre apenas sedução para a guerra ou para a manipulação que torna a mulher menos mulher, e mais parecida com o homem.

Na realidade as mulheres parecem ter perdido a ambição da persuasão da sabedoria. De fato, a mulher sábia está fora de moda, e as que ainda existem têm medo de se manifestar, visto que sensatez virou caretice para boa parte das mulheres.

Então, vê-se essa virtude e poder sendo usados para se ‘revolver’ no pior da vida, e não para propor e viver a vida que constrange pela sabedoria.

De fato me alegro imensamente quando encontro uma mulher que é mais confiante na sabedoria do que na sedução, e mais comprometida com o poder do bom senso do que com a capacidade de usar seu poder para coisas pequenas, embora consideradas intocáveis como espertezas femininas.

Todo fruto, mesmo que venenoso, sendo dado por uma mulher, tem o poder de se tornar irresistível. Mas a mulher precisa recuperar a percepção de que sua grande força é ser mulher que persuade para o bem.

Não é à toa que Paulo diz que a mulher é a glória do homem!

“Glória”, antes de ser nome de mulher, deve ser o estado saudável do ser feminino.


Caio

ÁPICE

 
 
MINHA HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES, QUE SÃO TODOS OS DIAS...
 
 
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MULHERES DE 30

Arnaldo Jabor

 

Isto é para mulheres de 30 anos ou um pouco mais... E para todas aquelas que estão entrando nos 30 e para aquelas que estão com medo de entrar nos 30... E para os homens que têm medo de meninas de 30.

 

Estas são as razões do por quê: Uma mulher de 30 nunca o acordará para perguntar:

 

        “O que você ta pensando aí?” –  Porque ela não se importa com o que você pensa, mas se dispõe de coração se você tiver intenção de conversar. Se uma mulher de 30 não quiser assistir ao jogo de futebol ela não fica à sua volta resmungando. Ela sai de perto e faz alguma coisa que queira fazer. E, geralmente uma coisa bem mais interessante.

 

Uma mulher de 30 se conhece o suficiente para saber quem é... O “que” e “quem” quer. Poucas mulheres de 30 se incomodam com o que você pensa delas ou sobre o que você está fazendo. Mulheres de 30 são honradas. Elas raramente brigam aos gritos com você de público ou não. É claro, que se você merecer, elas não hesitarão em lhe dar um safanão, mas só fará isso se tiver certeza que nada vai lhe acontecer. Uma mulher de 30 tem total confiança em si para apresentar-te para suas melhores amigas.

 

Uma mulher bem mais nova estando com um homem tende a ignorar mesmo sua melhor amiga porque ela não confia nem em um nem em outro. Por experiência, digo que não se fica com quem não se confia.

 

Aprenda! Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem. Você nunca precisa confessar seus pecados para elas. Elas sempre sabem tudo. Uma mulher de 30 fica linda usando batom vermelho ou não. O mesmo não acontece com as jovens. Mulheres de 30 são diretas e honestas. Elas te dirão na cara se você for idiota, ou se você tiver agindo como tal. Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem e o resto deixe que elas sabem fazer.

 

Nós admiramos as mulheres de 30 pelos sem números de razões. Infelizmente, isso não é recíproco. Para uma mulher de 22 a 26, estonteante, inteligente, bem apanhada, existe sempre um careca, velho, pançudo, de calça mal arrumada, bancando o bobo da corte.

 

Senhoras mais velhas, eu peço desculpas. Para os homens que dizem porque comprar a vaca se você pode beber o leite de graça? Aqui está a novidade para você: hoje em dia 80% das mulheres de 30, são contra o casamento, sabe por que? Porque elas perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só pra comer uma lingüiça vez por outra.

20 February

REFLEXÃO

 

 

 

 

 

O CARNAVAL, O CARNA-AVAL E AS FANTASIAS QUE SÃO A NUDEZ DO SER

 

 

 

Ficaria eu perplexo e veria o Carnaval com melhores olhos se fosse apenas a arte dos grandes carros alegóricos que salta aos olhos como prova de indizível genialidade.

Quando vim morar no Rio não imaginava que tal embasbacamento me perpessaria quando me visse frente-a-frente com um daqueles imensos carros das escolas de samba, estacionados na Presidente Vargas, aguardando a entrada na Sapucaí.  

 Penso que veria o Carnaval com melhores olhos se ele fosse apenas as sofisticadas coreografias das escolas de samba, os sambas-enredo com suas mensagens culturais e conscientizadoras, as danças alegres do frevo, ou os grandes bonecos de Olinda, os quais quando fui a esta cidade, não resisti tirar uma foto ao lado, posto que sempre os achei fascinantes.

Penso que veria o Carnaval com melhores olhos também se fosse feito apenas das beldades filhas de Eva esculpidas como que em bronze e ébano a desfilar toda a graça que o Nome concedeu a elas. Pode-se dizer tudo a respeito delas: que não estão dentro dos padrões morais no que tange ao vestuário, ou que são exacerbadamente sensuais, lilithianas até, mas nunca que sejam um feio espetáculo. Quem assim o disser direi que não se encontrou devidamente em sua masculinidade ou que a inveja corrói-lhe as vísceras, afinal de contas psicologicamente sempre se tende a criticar aquilo-que-se-quer-ser, mas que se sabe que nunca se será ou aquilo-que-se-quer-ter, mas se sabe que nunca se terá!

O grande problema do carnaval, entretanto, é que ele não é somente “carnaval” como se emprega a palavra pra uma situação de grande alegria e êxtase, ou o “ziriguidum” ritmado e contagiante, mas é principalmente carna-aval.

Não é carna-aval simplesmente porque se dá a chave de cada cidade a Momo, o deus grego da zombaria, do sarcasmo, da galhofa, do delírio, da irreverência, do achincalhe e dos apetites incontroláveis! Se Momo é uma potestade, logo tão somente se mostra ser mais um dos agentes satânicos, posto que o diabo, com chave ou sem chave de cidade, é príncipe deste mundo e já tem todas as chaves desde a Queda. “O mundo jaz no maligno”. Se Momo é uma potestade que superabunda as galhofas e apetites carnais não pode nem deve ser ignorado, mas também não pode ser alvo de neuroses, uma vez que tem seus poderes limitados a um tempo e espaço relativamente curtos, ao passo que outras potestades têm abrangência maior na sua malignitude.  

  Ora! O maior perigo do carnaval ser carna-aval é por causa das implicações psicológicas, posto que é um período em que a alma se corrompe ainda mais, ignora a consciência e dá aval à carne para fazer o que quer sem restrições. É a época de todas as permissões e permissividades. Época de se colocar pra fora todas as taras e fetiches. De pecar sem culpa e sem pecado. De “soltar a franga”, e mais do que frangas – soltar  os monstros que em outras épocas ficam reprimidos no casulo do politicamente correto.

Se não todos, a maioria dos homens que se vestem de mulher tem lá suas pulsões e fetiches feminilizados, os que se vestem de bebês têm seus complexos infantis, os que ficam nus são os encapsulados que têm sede de liberdade, e os que festejam até cair são os que tentam enganar suas mazelas mais trágicas – ou seja, criam uma pseudo-alegria para mascarar suas desventuras. Desnuda-se o ser e cobrem-se as desgraças! 

No carna-aval tudo é permitido e “só não vai atrás quem já morreu”! As pessoas colocam máscaras, mas na verdade as máscaras são somente a anti-imagem, a antítese, o espelho inverso, pois o que se quer psicologicamente é tirá-las, ou seja, no carna-aval as pessoas são o que são mais que em qualquer época do ano, desfilam suas ambigüidades humanas e exibem suas personas, não suas fantasias. Logo a fantasia do carna-aval é a nudez do ser! E quão adoecido é o ser sem Cristo, mesmo um ser com o corpo inacreditável de uma Juliana Paes, ou o charme de um Reinaldo Gianecchini!

É por isso que falo de meus tirocínios sobre o carna-aval, mas sem querer “bruxifica-lo” mais do que a conta, vendo demônios, “espíritos” e possessões onde não existem.  Se existem possessões, então a maioria dos “possessos” foliões é “possuída” pelos sentidos, uma vez que cada um é atraído pelas próprias concupiscências. “Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, quando esta o atrai e seduz. Então a concupiscência, depois de haver concebido, dá a luz o pecado; e o pecado uma vez consumado, gera a morte” diz São Tiago. 

Sábado agora uns amados meus me confessaram que tiveram vontade de tirar fotos ao lado de alguns carros na Presidente Vargas e que diante do glamour daquelas colossais obras de arte estavam avidamente pensando em assistir o desfile pela TV, o que nunca haviam feito antes. Perguntaram-me se era lícito. Eu lhes respondi que “tudo é puro para os que são puros, e tudo é santo para os que são santos. E se os teus olhos forem bons todo o teu corpo será bom, mas se forem maus, todo o teu corpo será trevas”.

Pode ser espetáculo de cores e tons para uns a fim de embevecer a alma e dar graças a Deus, e pode ser espetáculo da carne para outros, a fim de saciar todos os apetites reprimidos e disso colher destruição!

Quem tiver olhos, veja, e quem quiser carna-aval da morte que queira! Eu, porém, prefiro fest-e-já a vida d’Aquele que É o verdadeiro Deus da Alegria, Alegria essa que não se finda na quarta de cinzas, mas transcende tempo e espaço!

 

Abraço gostoso no ser!

 

Yeshua Shalom!

 

Paulo

 

 

   

 

16 February

REFLEXÃO

 

 

 

 

 

 

PEQUENO TRATADO SOBRE A VIOLÊNCIA

PAULO RUFINO

 

 

Nos últimos dias tenho visto muita perplexidade a respeito da violência. Nos jornais, nas revistas, nos tablóides de rua, na TV, nas manifestações veladas e públicas, nos meus scraps do orkut  e nos bate-papos com os amigos. A morte desse garoto que foi arrastado num carro parece ter mexido com as pessoas mais que o massacre da Candelária, ou o de Vigário Geral, ou da Baixada Fluminense ano passado, ou o caos gerado pelo PCC em todo o estado de São Paulo.

Percebo que há mais que uma angústia imediata e temporal a respeito da violência. Há uma angústia e uma perplexidade existenciais. 

Por que a violência? De onde provém tanta violência? Por que o ser humano parece cada dia mais frio e menos insensível à vida, mesmo a dele próprio?

Os sociólogos e psicólogos atribuem a violência à questões familiares seguidas da influência da mídia, do sistema sócio-econômico-cultural, da educação pós-moderna e da constituição biológica do próprio indivíduo.

          Os religiosos empedrados e simplistas definem como tudo sendo do diabo, mas algo sem porquês, sem razões e sem fundamentos. “É do diabo e pronto!”

Hoje tive um sonho que penso, respondeu se não muito, parte da minha própria perplexidade.

Eu estava correndo de algo assustador, mas não sabia exatamente do que estava correndo. Só me lembro do sentimento de horror, assim como das três vezes em que me deparei com Satanás, não sei se fora do corpo ou no corpo. Era um sentimento como se aquele ente atrás de mim fosse me sugar como um grande aspirador de pó existencial. Sentia que ele ia sugando tudo atrás de mim, e naquela minha fuga eu ia passando por vários lugares diferentes como que transladando para lugares que me abrigassem de alguma forma, mas nada despistava aquele ser. Onde quer que eu fosse ele estava atrás de mim – ameaçador. Até que cansado daquela fuga que parecia interminável, parei onde estava e encarei aquele ente que para meu horror se tornar ainda maior, era eu-mesmo! Era um eu-desfigurado que me perseguia e queria me devorar! Foi quando acordei lembrando de algo que meu pai na fé dizia nos meus primeiros dias de tenra fé:

 

-                                “Olha Paulo. Existem duas feras dentro da gente. Uma é boa e nos preserva, outra é má e destrutiva”.

-                                 “E qual das duas vence?" – perguntava eu inocente.

-                                   "Vence a que for mais bem alimentada!"

         Ora! A violência nasce no eu! Na ambigüidade que nos envolve como seres humanos! O eu estar fugindo do meu-eu era e é uma pintura cósmico-quântica do que acontece com todo ser humano. Paulo falava sobre isso, mas não como foi e é interpretado por tantos até hoje: de uma forma muito subjetiva. Romanos 7 é o maior tratado jamais escrito sobre as relações de ambivalência do ser humano com respeito à sua naturalidade. Há bem e mal se digladiando em nós, anjos e demônios, fadas e monstros. Isso é tão difícil de ser compreendido porque se faz muita confusão com o conceito esotérico de ying e yang.

Veja! A filosofia do ying e yang apologiza o equilíbrio entre as forças contrárias: negativo e positivo, bem e mal, preto e branco. Representa o limiar entre os opostos, como se um estivesse contido no outro, em eterno movimento, pois as forças opostas são parte da mesma perspectiva divina. E isso, dentro de uma percepção cósmica!

Não é nisso que creio – que em todo mal há bem e que em todo o bem há mal – , e sim que dentro da perspectiva humana, atingida pelo mal, o mal nos habita, e isso até que sejamos totalmente redimidos, posto que esse mal habita a alma e a carne que a expressa.

É por isso que nem cadeia, nem FEBEM, nem leis humanas de repressão são capazes de erradicar a violência, porque se pode aprisionar o corpo, mas não a alma. Pode haver tortura na carne, mas não se atingir o âmago, e é lá que o mal habita.

Logo, de onde vem a violência?

Em primeiro lugar vem do afloramento daquilo que o homem-é-em-si-mesmo! Mesmo os que julgam tais violências são capazes das mesmas violências, mesmo quando isso é inconsciente e impensável. Como ser humano natural estou certo de que não sou melhor que aquele “cara” que não teve compaixão de uma criança de seis anos esbagaçando-a pelas ruas do subúrbio do Rio.

Parece a história de um livro de Stephen King que acabei de ler – Zona Morta – em que o protagonista, munido de certos poderes cognitivos, descobre que um político americano será o responsável pela terceira Guerra Mundial e resolve matá-lo, para preservar o mundo, mas quando está aí de tocaia para matar aquele monstro, vê-se como monstro igual, afinal de contas estava-se fazendo monstro também e percebia a demonitude que nele próprio habitava!

Que isso quer dizer? Que quando queremos justiça com as próprias mãos, cadeira elétrica, câmara de gás, corredor da morte, nossos monstros estão também mostrando sua bocarra na nossa inconsciência.

Negar nossos monstros é ficar ainda mais vulneráveis a eles. A alienação não gera mais que estúpidos!

E daí alguém pode me perguntar, se em todos nós habita a violência capaz de cometer tais atrocidades, por que não o fazemos?

A resposta simples, mas profundamente filosófica do meu amigo penso que é a resposta:

É o que alimenta essa natureza má! São as ingerências e injunções que abalroam a vida!

 

Deixe-me discorrer tais injunções que nos distinguem como os que têm o mal encapsulado no ser ou que o revelam na cotidianidade da vida:

 

Primeiro a cultura que se absorve no lar, as heranças de aprendizado. Nunca se falou tanto sobre maldição hereditária, mas no meio de todo esse misticismo, o que é facilmente percebido por quem quer ver a vida como ela é, é que a hereditariedade dos exemplos é muito mais atuante do que qualquer outra hereditariedade. O que digo, digo nunca tendo sentado num banco de faculdade de psicologia ou de sociologia! O que somos, somos sem dúvida influenciados pelo ambiente. Esta semana uma ovelha-amiga me confidenciou que na sua infância foi quase vítima de um abuso sexual por parte do tio. Guardando isso para si, depois de anos, quando abriu o coração para a mãe, a mãe disse a ela que o pai abusava de todos os filhos, inclusive os meninos.

O que se vê neste caso? O estuprado se tornou estuprador!

É claro que nem todo estuprado se torna estuprador, mas todo estuprador foi estuprado! E todo aquele que pratica a violência sem dúvida foi alvo dela! Portanto, a violência existe como reprodução consciente ou (geralmente) inconsciente daquilo que se vive psicologicamente e desperta o mal intrínseco chamado pecado.

 

Segundo, o inconsciente coletivo, que é a impressão coletiva violentada que se passa a todo ser humano numa sociedade, e que de impressão coletiva pode se individualizar na experiência dos membros dessa mesma sociedade. Um exemplo disso no nosso país é o chamado “jeitinho brasileiro”. É algo que já se firmou como mentalidade coletiva, mesmo que praticada às vezes na inconsciência.  Aqui no Rio, nos dois anos que aqui moro, vejo que a violência já se tornou fruto do inconsciente coletivo.

Esse inconsciente coletivo que se revela em resignação e conformismo, ora se volta contra a sociedade esmagando-a . No Brasil a corrupção e a violência estão recrudescendo como símbolo desse esmagamento arquetípico.

 

O terceiro fenômeno atiçador da violência que habita cada ser humano é o mundo espiritual da maldade que a despeito de toda neurose que se criou, é real e não pode ser negado. Satanás é o tentador, a personificação de tudo aquilo que é maligno e destrutivo, e os demônios não são apenas seres subjetivos e míticos. Nas regiões celestiais é travada uma grande luta espiritual que não vemos com os olhos físico-biológicos pelo controle das mentes, das instituições e até mesmo das nações. O livro de Daniel ilustra bem essa realidade.

Paulo diz em Efésios 6 que “ a nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades que atuam nas regiões celestiais”.   O poder, portanto, está em instancias muito maiores que o Comando Vermelho, o PCC, os traficantes, as milícias, os terrotistas, os talebãs e os bin-ladens. O poder real está nas potestades do mal que “possuem” essas potestades humanas.

 

Ok! Uma vez que se sabem as causas da violência, o que se pode fazer para desviolentizá-la? Sim, porque aniquilar a violência só será possível quando a redenção se consumar e Satanás não mais tiver autoridade para atuar no kosmo – autoridade essa dada pelo próprio homem através da desobediência.

Bem, a questão da violência só se resolve com conversão!

 

O primeiro tipo de conversão é a conversão a Cristo. Em Cristo a velha natureza é re-vestida de uma nova natureza.  Em Cristo a natureza de escorpião precisa ser vencida por uma natureza que ama. A natureza que “ferroa” e que pratica mal precisa sucumbir diante de uma natureza que cura feridas.

Não foi isso que aconteceu com o carcereiro de Filipos? O sujeito depois de dar uma tremenda surra em Paulo e Silas ( e na época os carcereiros eram escolhidos dentre os mais frios e sanguinários), assim que se converte pega os apóstolos, leva pra casa e cuida-lhes os ferimentos! Ou seja, depois de Cristo aquele que fazia as feridas torna-se um que derrama bálsamo sobre elas!      

 

O segundo tipo de conversão é a conversão familiar. Quando pai se converte a filho, e filho se converte a pai; e marido se converte a mulher, e mulher se converte a marido, há paz dentro de casa, e aí são cortadas as primeiras raízes da violência, posto que é dentro de casa que se vêem as primeiras violências. Falo isso como quem sabe venalmente o que é isso. Na minha casa todos cresceram com “natureza de escorpião”, gente brava e temperamental. Vimos muitas vezes nosso pai espancando nossa mãe, e ela por sua vez nos espancava. E aí se seguiu um círculo vicioso que poderia ter gerado mais violência do que se gerou não fosse a misericórdia de Deus. Essa conversão se dá com conversa, com dialogo, com perdão, com tete-a-tete, cara-a-cara, com o desenterrar das mágoas que se alojaram na psique, com beijo, com abraço, com tempo um pro outro e com o legado dos bens exemplos.

 

O terceiro tipo de conversão é uma conversão ética. Essa conversão só é possível quando a sociedade se conscientiza daquilo que foi seu inconsciente e se volta contra essas mentalidades rejeitando-as como modo-legítimo-de-ser-da-vida!

 

O quarto tipo de conversão capaz de sufocar a violência é a conversão humanitária. É o converter de um ao outro. De um ser humano ao outro.

Em alguns lugares do Rio de Janeiro sei que garotos jogam futebol com cabeças humanas, e outras pessoas jogam lixo dentro de latas de lixo onde dentro está um ser humano (em alguns morros aqui do Rio eles chamam de “deixar virado”, que é quando os bandidos matam um adversário e no afã de envergonhá-lo post-mortem e também como aviso do que pode acontecer com quem lhes desafia joga um defunto de cabeça pra baixo nos latões de recolhimento de lixo da COMLURB). Um pastor amigo nosso teve o filho morto num desses morros e foi impedido de recolher o corpo do próprio filho para o sepultamento. 

Enquanto as pessoas não se converterem umas às outras, abrindo mão da indiferença e do egoísmo a violência continuará violentando a todos de forma cada vez mais violenta!

O episódio do pequeno João Hélio parece ter convertido muitos corações inconversos! “Amarás o próximo como a ti mesmo”. Este tipo de conversão só se faz com amor e por amor – amor ao semelhante, amor que vê a agressão ao próximo como agressão a si mesmo!

 

Quero concluir esta reflexão dizendo que as origens, implicações e soluções para a violência só serão conhecidas de forma integral quando os livros apocalípticos se abrirem todos, que é quando o homem se conhecerá em sua própria humanidade e nas roturas causadas pela queda do Éden. Hoje toda a nossa percepção é em parte. Em parte vemos. Em parte profetizamos. Em parte denunciamos. E mais: “As armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas e anular sofismas”.

 

Abraço gostoso na alma!

 

Yeshua Shalom!

 

Paulo

 

 

  

 

 

14 February

ÁPICE

 
 
 
UNIÕES CONTAMINADAS
 
CAIO FÁBIO

Tem gente que pensa que gente se entrega a outra gente e nada acontece. Tem gente que se dá a outra gente sem saber que a gente é feita de gente. Tem gente que se ilude com a idéia de que gente não transfere gente para outra gente. Tem gente que não entende que gente é contagiada quando se faz ‘um’ com outra gente. Tem gente que pensa que é brincadeira quando Deus diz pra gente não misturar o espírito com o espírito de certas gentes.
 
Sim, gente passa gente pra gente!
 
“Serão os dois uma só carne...”
 
“Faz-se um com ela...”
 
“Grande é este mistério...”
 
Paulo disse que na união conjugal tais ‘misturas’ atingem seu clímax para o bem, mas também pode ser para o mal.
 
Ele diz: “...dela cuida como de sua própria carne...”
 
E mais: “... posto que já não são dois, porém um...”
 
E em outro lugar: “... a mulher crente, santifica o marido incrédulo... de outra sorte seriam impuros...”
 
 
Eu creio em vampiros psicológicos, em seres que comem você por dentro, em relacionamentos que são como o ‘bicho da goiaba”, o amazonense “tapurú”.
 
Ninguém se une a ninguém sem contágio, para o bem ou para o mal.
 
Uniões têm o poder de mudar interiores, alterar almas, atingir o espírito.
 
Se alguém sai de casa e contrata uma prostituta, e faz isso uma vez, corre o risco de contaminar-se fisicamente, e, pode desenvolver um vício para a alma.
 
Mas se alguém sai de casa sempre para se prostituir, essa pessoa, mesmo que mude de prostituta todas as vezes, será contaminada, não necessariamente no corpo, e não necessariamente pelo espírito de uma delas, mas com certeza o será pelo “espírito de prostituição”, que não é algo muito forte na prostituta—que não se entrega por prazer—, mas o é na alma do freguês, visto que ele sim, procura ‘algo’ com avidez física e psicológica.
 
Amizades longas com pessoas ruins podem acabar com a gente. Mas amizades curtas e breves também têm o poder de contaminar, e desviar um ser humano de seu caminho.
 
Nada, porém, é mais profundo no seu poder de contágio do que uma união conjugal.
 
Nesse caso, se as pessoas são de espírito bom, mesmo que não se amem, provavelmente não se façam mal.
 
Mas se ambas ou apenas uma delas for de ‘outro espírito’, então, é muito difícil que o parceiro não seja contaminado na alma.
 
Por esta razão nada há melhor do que a união de duas pessoas do mesmo bom espírito, especialmente se tiverem a ventura de se encontrar bem cedo na vida, e se manterem em união por toda a vida.
 
Tais pessoas são as mais leves, livres, felizes, e simples!
 
Há quem queira muita ‘variedade’...
 
Meu Deus, que ilusão!
 
Mal sabem que a tal ‘variedade’ vai deixando gambiarras penduradas pela gente, como fios desencapados e ‘em curto’.
 
Se pudéssemos ver espiritualmente tais pessoas, as veríamos como troncos cheios de cabeças, braços, olhos, e pernas.
 
Sim, completamente monstrificadas...
 
Simbiotizadas de tantas formas e de tantas maneiras, que elas mesmas assustar-se-iam se pudessem se enxergar.
 
Mas não é preciso enxergar para ver. Basta que se olhe para dentro do coração, para as legiões de seres..., para sentimentos que cada vez mais se complexificam na alma, para mentes cada vez mais compartilhadas pelos entes psicológicos que foram sendo agregados no caminho.
 
Por isso o homem de coração simples é bem mais feliz do que aquele que sofisticadamente se auto-designa de complexo.
 
Quando a sabedoria ordena ao jovem que guarde puro o seu coração, que simplifique os seus caminhos, e que seja focado em seus sentimentos, ela quer apenas dizer o que acabei de expor.
 
Sim, não é nada moral, como se pensa. Mas sim é algo que tem a ver com a saúde do ser, com a paz para viver, com a unicidade existencial, com a pureza psicológica.
 
Hoje, porém, é moda ser infeliz, complexo, sensível (significando ‘sofrido’), indecifrável, misturado, multiuso..., de tal modo que essa pessoa tem que ter ‘seu próprio analista’.
 
Toda gente é uma ‘mistura’ de todas as gentes que passaram pelo coração, para o bem e para o mal.
 
Nessa viagem da formação do ser há aquelas pessoas que são inevitáveis para nós, como os pais e os irmãos—nossos primeiros e involuntários casamentos na existência.
 
Ora, muitos são os estragos que essa ‘mistura’ pode causar quando mal discernida.
 
As piores misturas, todavia, são aquelas que escolhemos—consciente ou inconscientemente—para viver e fazer parte da gente pela via da união.
 
Uniões são coisa muito séria...
 
Sim, elas podem nos erguer ou nos afundar; podem nos abençoar ou nos amaldiçoar; podem nos trazer paz ou podem nos trazer angustias; podem nos salvar ou nos destruir.
 
Por isso, se você está só, ou vindo de algo que como ‘união’ fez mal a você, não tenha pressa. Abrace sua solidão com respeito e dignidade, e agradeça a Deus o livramento. E não sucumba à tirania de se fazer acompanhar. Afinal, veja bem quem vai lhe ‘acompanhar’.
 
Mas se você está lendo isso e pensando: “E agora? Depois de tanto ‘experimento’, ainda haverá esperança para mim?”
 
Eu lhe digo:
 
Sempre há esperança. O Espírito Santo é real. O amor de Deus limpa e cura. Mas o homem haverá de ser curado enquanto discerne cada pedaço de outros que foram largados no baú de sua alma. E terá que ter a coragem de discerni-los e jogá-los para fora de si mesmo.
 
Ora, tal cura implica em discernir ‘qual carne e qual sangue’ fazem parte de nossa ‘comunhão’ existencial e espiritual. E obviamente isto só tem a ver com quem permitimos entrar e ter algum pedaço de nós, especialmente em uniões.
 
Tal exercício de discernimento é doloroso, porém libertador.
 
E se você discernir tais espíritos na presente constituição de sua alma, mande-os sair... pois eles sairão.
 
Depois disso, todavia, encha a sua ‘casa’ do que é bom, e não a deixe vazia, posto que essas coisas se vão... mas de vez em quando voltam a fim de ver como anda o lugar antes ocupado, conforme nos ensinou Jesus, tanto sobre espíritos demônios, quanto também acerca de qualquer espírito, inclusive os espíritos dos humanos que já nos possuíram ou tentaram faze-lo.
 
Esses ‘entes’, todavia, cansam de voltar. E é assim que se vai alcançando paz mais e mais...
 
Ora, é por tudo isso que lhe peço:
 
Veja bem com quem você está se unindo.
 
E mais:
 
Veja bem que espíritos você contraiu durante vínculos adoecidos.
 
E, assim, trazendo todas as coisas para a luz, deixe que a verdade expurgue de seu ser aquilo que não é você.
 
E não esqueça:
 
É na Luz e na Comunhão verdadeira que o Sangue de Jesus nos purifica de todo pecado.
 
 
“Pois se andarmos na luz, como Ele na luz está; mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Seu filho, nos purifica de todo pecado”.
 
 
10 February

DIVÃ DA GRAÇA

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NÃO SOU O CARA CERTINHO QUE AS PESSOAS PENSAM QUE EU SOU... SERÁ QUE AGRADO A DEUS?
 

From: G 
To: paulosrufino_@hotmail.com
Date: Thu, 01 Feb 2007 11:08:05 -0200

Olá Paulo, como vc vai? Tenho certeza que bem!!Eu não tive tempo pra falar
com vc na verdade toda hora que eu tentava mandar uma mensagem para
vc não dava certo dizia que eu não tinha destinatario que não sei
que lá mas acho que agora consegui eu gostaria d saber de qual
congregação vc é; eu sou da Assembléia de Deus ministério do Belém.
Eu não tenho muito pra falar de mim,pois estou em um crescimento
Espiritual ainda mas sinto que em breve tudo isso se findará sabe é
uma coisa inesplicável é uma certeza em que jamais senti, mas agora
não sei porque tenho vontade de sempre ser assim certo,não só no modo
de ser mas tbm no modo de falar,viver,tenho certas duvidas como será
que meu jeito agrada Deus mas sempre vem um pensamento que me chama
pra clamar a ele e pedi-lo que melhore meu relacionamento com nosso
Pai antes eu não me comovia por certos assuntos tem vez que chego a
chorar de tanto prazer e alegria que vejo uma Pastora ela se chama
Joyce meyer não sei se vc conhece ela mas vejo seu trabalho com as
crianças que sofrem na Índia e é só obra do Criador!ALELUIA!!Mas
tenho medo de me espor esse meu lado pois não tenho me mostrado
assim tanto para meus amigos como para minha familia, meus amigos
acham que sou cara da"HORA" que só quer curtir a vida zuando (esses
amigos que falo não são convertidos)e os meus irmãos em cristo agora
estou conseguindo ganhar sua confiança meus pais acham que sou
aquele garoto garoto nossa todo certinho e ingênuo mas eis que estão
muito enganado Mas dou eternamente Graças a Jesus que atraves do
Espirito Santo me tirou dessa imundice de mundo eu apesar de ter
nacido num lar Cristão não dei valor a esse tesouro que Deus nos dá
Espero falar mais vezes com vc e quem nós possamos nos encontrar aqui
na terra um quem sabe no CÉU
Me diga tbm oque significa "Yeshua Shalom"
Fica graça do Salvador!

RESPOSTA:

Graça e paz G...rs... Bem querido, a sua primeira resposta é que sirvo a Deus num ministério que se chama Ministério Internacional Emanuel, mesmo tendo sido alcançado por Cristo na Igreja Presbiteriana Independente, o que sem nenhum ufanismo denominacional, muito me orgulha, pela centralidade dos presbiterianos no que tange às Escrituras.Podem até chamá-los de "sorveterianos" mas não de pragmáticos "iurdianos"...rs ...  Sobre o que vc disse,  acho que entendo o que quis dizer. Hoje realmente gostaria de manter-me naquele primeiro amor, sem muito conhecer, pois como diz o sábio no Eclesiastes, o saber traz dor e enfado. Isso pq quando a gente está começando na fé, ou como é o seu caso, tendo um contato vivo com Deus(vc era de um lar cristão, mas era cristão no exterior, na hereditariedade de seus pais, mas agora vc está tendo sua própria experiencia com Deus, e isso no coração) a gente não vê tantas contradições entre a fé que se prega e a fé que se vive no meio evangélico, o que as vezes dá nojo e frustra. Por isso te digo, continue simples. Procure crescer no conhecimento pois isso te será livramento( Deus diz em Oséias que seu povo perece por falta de conhecimento), mas cresça em graça tb, o que fará ser simples e humilde. Hoje isso tem sido uma mão inversa. Quem cresce em conhecimento despenca em graça. Os seminaristas são os maiores fariseus que conheço. Eles coam o mosquito e engolem o camelo, e passam  a pensar que sabem tanto de Deus que o Deus deles passa a ser uma ficção e o verdadeiro Deus deles se aparta. Sobre suas lutas, todos nós temos nossas ambiguidades e embates. Vc não é preterido por Deus por não ser "tão certinho quanto as pessoas pensam que vc é". Deus não te rejeita, mesmo com seus espinhos na carne, visto que a graça dEle te faz forte na fraqueza. Tão somente anda na presença dEle. Ora veja: Deus falou a Abraao: "Anda na minha presença e sê perfeito"...hahaha...Ironia...Poucos personagens bíblicos tiveram mais defeitos que Abraão. O cara desobedeceu trazendo Ló junto com ele quando Deus disse para ele não trazer "nada" de Ur...mentiu várias vezes... deixou a mulher pra outro transar com ela( o rei do Egito, se não fosse Deus intervir...)...depois foi ansioso tomando uma mulher e des-esperando da promessa de Deus, o que gerou um filho bastardo que concorreu e concorre com seu filho legítimo até o dia de hoje...depois foi seletivo com os filhos e deixou uma herança de preferencialismo paterno...Ufa!!!Esse foi o amigo de Deus, o cara perfeito!rs... Fosse a pregação de hoje, Abraão seria o primeiro da fila do inferno, mas porque Deus o chamou de AMIGO? Por que ele creu e isso lhe foi imputado por justica, e também pq ele andou com Deus. Quem anda com Deus é perfeito, mesmo com falhas entende? Por que a sombra do Onipotente esconde as nossas falhas. Não é isso que diz o salmo 91?
Espero te-lo ajudado de alguma forma. Volte a me escrever.
Yeshua Shalom( que quer dizer Paz de Jesus)

Beijão querido!

Paulo


  

 


2 February

LER COM GRAÇA!

Que medo do sujeito...
  
Há cerca de 1 semana acabei de ler o livro "Zona Morta" (The Dead Zone), de Stephen King - publicado em 1979 e que inspirou um clássico longa-metragem com  o nome "A Hora da Zona Morta",  rodado em 1983. Belíssimo filme, foi dirigido pelo veterano David Cronenberg (de "A Mosca" e de "Videodrome") e estrelado pelo brilhante Christopher Walken, ganhador do Oscar de Ator Coadjuvante pela atuação no filme "O Franco Atirador".  O resumo do livro que vem a seguir não foi feito por mim, e sim pelo site A Arca. Recomendo pois é um livro que te prende da primeira a última página.
 
Yeshua Shalom!
 
Paulo
 
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O princípio

John Smith, simpático e bem sucedido educador, sofreu um acidente automobilístico após ter deixado a residência da amada noiva num dia chuvoso. Traumatizado com o infortúnio lhe ocorrido, Johnny permaneceu em estado de coma por quatro anos e meio.

Ao acordar na clínica do Dr. Sam Weizak, médico de vanguarda e especialista em problemas cerebrais, Johnny o conheceu e se reencontrou com os pais. A dura realidade foi a ele contada pela mãe a contragosto do pai: enquanto estivera em coma a amada se casara com outro homem. Johnny esmoreceu.

O corpo de John Smith se encontrava fraco, especialmente no tocante às pernas e aos pés; anos em coma enfraqueceram os músculos do professor primário. De fato, tinha imensa dificuldade de locomoção, tanto que foi necessário a ele o início de sessões de fisioterapia. A partir de então o pesadelo de Johnny principiou, pois constataria um fato estarrecedor: além da perda da amada, além das dificuldades de locomoção que doravante o fariam caminhar auxiliado de uma bengala, além da perda da carreira profissional e de ter "acordado" num mundo ligeiramente diferente (afinal, foram quase cinco anos "no escuro"), logo surgiria algo novo: um "dom".

O meeeeestre Walken
A Hora da Zona Morta
Dom ou Maldição?

Numa das passagens mais interessantes da obra, Johnny tocou na mão de uma enfermeira quando essa lhe prestava cuidados na clínica. Ao fazê-lo teve uma visão: a casa da enfermeira em chamas, ao passo que a filha pequena chorava desesperada no quarto. Confuso com aquelas imagens, Johnny suplicou-lhe a ida imediata à casa, uma vez que a mesma era consumida pelas chamas.

A enfermeira, desesperada e temerosa, partiu da clínica e realmente encontrou a casa ardendo em chamas, mas conseguiu ter sua filha salva pelos bombeiros, graças ao aviso de John Smith. De outra maneira a filha morreria.

Johnny teve constantes "visões" após esse episódio do incêndio. Passou a ser alvo dos estudos do Dr. Weizak, porém teve alta da clínica para que obtivesse "de volta" a vida normal que lhe fora roubada. Seria obra do acaso ou de Deus?

Ele voltou do coma dotado desses dons de clarividência e de premonição. Ao longo da obra é contestado o fato da tal premonição ser um dom; podia ser uma maldição, ao invés disso. Um dos detalhes intrigantes é a natureza das visões: elas somente acontecem se Johnny tocar no corpo - vivo ou morto - ou num objeto de alguém; ainda assim, poderia as ter ou não, uma vez que o processo foge ao controle dele. O dom adquirido após o coma proporcionava visões do passado, do presente ou do futuro das pessoas envolvidas, contudo, não podia ser controlado.

Johnny viveu diversas situações inusitadas, como a grande ridicularização a ele impingida pela mídia, através da qual foi sumariamente desacreditado e tomado por louco e charlatão, e como o auxílio prestado à polícia na resolução de crimes insolúveis pelos métodos tradicionais de investigação.

A cadeia de acontecimentos e de clarividências, ao término do livro, levou Johnny a "salvar o mundo" do que poderia ter se tornado uma hecatombe nuclear. Está curioso? Leia!
 

 
28 January

ÁPICE

 

 
 
 
 
 
pedofilia
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A PEDOFILIA NA IGREJA É CONSEQUÊNCIA DO CELIBATO
Os votos de castidade enlouquecem os sacerdotes católicos. (ARNALDO JABOR)

No velho colégio de padres onde estudei, a entrada dos alunos já era um desfile de velada pedofilia. O padre reitor - ahh...tempos antigos de batinas negras, rosários nas mãos, panos roxos nos ombros, tristeza infinita nas clausuras - postava-se imóvel, na porta do colégio, numa pose paternal e severa, com os braços erguidos e as mãos oferecidas para os alunos que chegavam. Passavam por ele duas filas de dezenas de meninos, beijando servilmente suas mãos abençoadas.
 
Havia algo de veadagem naquilo, aquela negra batina imóvel, divina, como um manequim, as mãos beijadas com chilreios e devoção por mais de quinhentos meninos de calças curtas. Eu ainda me lembro do vago cheiro de sabonete e cuspe no dorso cabeludo damão do padre. Centenas de meninos de pernas nuas eram pastoreados por tristes noviços e "irmãos leigos". Só se pensava em sexo naquele colégio. Eu via as mães dos alunos, lindas, com seus penteados e decotes imitando a JaneRussel ou Ava Gardner, fazendo charme para os padres na força de seus verdes anos, enlouquecidos pela castidade obrigatória. E eu me perguntava: "Meu Deus...por que padre não pode casar?"
 
Lembro-me do tremor dos jovens padres, excitados pelas madames pintadíssimas, indo se trancar em negras clausuras, entregues ao "vício solitário", indo depois bater no peito e chorar sua culpa diante das imagens silenciosas.E esses mesmos padres nos diziam: "Cada vez que você se masturba, morrem milhões de pessoas que iam nascer. É um genocídio!". E nós, além do pecado, sofríamos a vergonha de ser pequenos "hitlers" de banheiro. Eu pensava: "Por que tanta onda sobre nossos pobres pintinhos, por que essa energia que sinto em minha carne é feia, criminosa?"
 
Vivíamos ajoelhados em confessionários, ouvindo envergonhados a voz e o hálito do triste sacerdote nos sentenciando a dezenas de "ave-marias" e "padre-nossos".Tudo era sexo no colégio; essa palavra terrível estava em toda parte, como uma ameaça vermelha; o diabo nos espreitava até detrás das estátuas de Santa Tereza em êxtase, nas coxas dos anjinhos nus, nos seios fervorosos das beatas acendendo velas.A pedofilia na igreja é consequência direta do celibato. É óbvio que se a força máxima da vida é esmagada, a igreja vira uma máquina de perversões.Claro. E de homosexualismo, visível em qualquer internato religioso. Outro dia, o Contardo Calligaris escreveu com precisão que a pedofilia não está só na carne do jovem assediado; a pedofilia é mais geral, abstrata, no prazer do domínio sobre os mais fracos, na pedagogia infantilizante das jovens "ovelhas" - como nos chamam os pastores de Deus - imoladas em suainocência.
 
Eu vi o diabo naquele colégio: rostos angustiados, berros severos e excessivos nas aulas, castigos sádicos, perseguições a uns e carinhos protetores a outros.Eu mesmo fui assediado por um padre famoso (que muitos colegas meus da época se lembram) que era notório comedor de menininhos; ele fazia mágicas e teatrinhos, para ser popular entre os meninos e, um dia, tentou me beijar num canto da clausura. Criado na malandragem das ruas, fugi em pânico. E falei disso em confissão com outro padre, que mudou de assunto, como se fosse uma impressão minha, como se a pedofilia fosse uma prática necessária à manutenção do celibato, exatamente como os cardeais americanos estão fazendo hoje. O problema da igreja com o sexo leva-a a uma compreensão quebrada da vida, leva-a a aceitar a Aids, a condenar o aborto, o controle social da natalidade e a outros erros maiores - superestruturas desta falência originária, desse vazio fundamental.
 
Lembro-me da descrição da eternidade no inferno, onde queimaríamos para sempre, sob o garfo dos diabos, condenados por uma reles punhetinha: "Imaginem que o planeta seja um grande diamante, o metal mais duro do universo. De cem em cem anos, um passarinho vem voando e dá uma bicadinha na Terra. O dia em que toda a Terra for esfarinhada pelas bicadinhas, esse é a duração da eternidade" . E eu sofria, me esvaindo nos banheiros, pensando naquele passarinho que bicava o mundo, enquanto eu acariciava o outro medroso passarinho se preparando para uma vida de traumas e medos.O prazer era um crime.
 
A partir daí, tudo ficava poluído, manchado de culpa; a alegria virava falta de seriedade, a liberdade era um erro, as meninas eram seres inatingíveis com seus peitinhos e bundinhas. Até hoje, vivo dividido entre as santas e as "impuras"; quantas dores senti na vida pelo cultivo destes ensinamentos, que transformava as mulheres em perigos horrendos, "Liliths" demoníacas, tão ameaçadoras quanto o imenso desejo que tinhamos por elas. A mulher, como Eva, era a origem de todos os males.Delas saía a vida e a morte, delas saía o prazer pecaminoso, o mal do mundo.Esta base criminal gera desde a "burka" até o "striptease", numa antítese simétrica.Hoje piorou.
 
O mundo virou uma incessante paisagem de bundas e seios nus, de pornografia na publicidade, que nos espreita no trânsito, nas ruas, na TV. Já imaginaram esses padres vendo a Feiticeira e a Tiazinha, de terço na mão, trancados em escuras celas, sob o voto de castidade? Essa é a minha idéia de inferno.Uma das grandes desvantagens da igreja católica diante de outras religiões é o celibato. Daí, em cascata, surgem problemas que justificam a queda do prestígio da igreja na era do espetáculo e da desconstrução de certezas.Rabinos casam, pastores protestantes casam. Budistas "do it", xintoistas "do it", indis "do it', mesmo muçulmanos "do it". "Let's do it", pobres padres trêmulos de desejo, no meu remoto passado jesuíta e no presente do sexo massificado.
26 January

DESABAFO

 

 

lindo.jpg

 

 

DESABAFO DE UMA SOLIDÃO QUE PARECE SEM FIM

 

Quero fazer um “strip-tease” aos meus amigos. Sinto necessidade de fazê-lo nessa hora.

Parece que hoje a solidão quer me tragar como uma fera voraz que estraçalha até as vísceras; como uma traça que corrói os meandros do ser.

Aos que criticam minha condição de pastor-solteiro tenho sido ácido, não sem razão, visto que um homem é chamado por graça, não por situação civil(Deus não tem compromisso com instituições e paradigmas humanos), mas de muitas formas tenho defendido minha solteiraneidade com  unhas e dentes.

Vim sempre defendendo minha condição com as palavras de Paulo que melhor solteiro, visto que o solteiro pode se dedicar inteiramente às coisas de Deus, ao passo que o casado tem que se dividir com os dilemas da conjugalidade.Todavia, mais do que nunca tenho pensado que quando Paulo disse que seria melhor se o homem ficasse só pois serviria melhor a Deus, foi algo puramente circunstancializado. Paulo falava de tensões seculares do seu tempo, sugerindo que a fonte da vida em Cristo deveria sobrepujar quaisquer instituições terrenas, mesmo o casamento – com suas muitas responsabilidades, as quais são sociais, econômicas e sobretudo, emocionais. Sem contar a espiritualidade que a união conjugal contém!

Paulo também fala de sua própria vocação e ora! vocação é dom de Deus. Vem por Graça. Nem todos são chamados ao mesmos dons, pois Deus os distribui conforme lhe apraz o querer soberano.

Já me passou pela cabeça que talvez Deus me quisesse no estado em que estou, ou seja, sem tomar mulher.Mas definitivamente estou certo de que não tenho essa vocação, posto que os dons de Deus não são pesados. E eu sei bem do que estou falando. Os dons que recebi já foram “provados a ferro e a fogo” na sua instrumentalidade, e mesmo que não possa romanticamente dizer que cumpri minha vocação sempre com um grande sorriso na cara, posso dizer que cumpri minhas missões, às vezes em lágrimas, desespero e perplexidade,mas no final de tudo me senti pleno!

Já o “estar só” em nenhum momento me trouxe plenitude, a não ser em horas de amargura e decepção com alguma mal-fadada expectativa. E isso não plenitude, é pena-e-tude! O “estar só” me traz sempre um vazio que nenhuma vitória no campo espiritual consegue suprir. Nem quando uma dúzia de almas se rende ao Senhor no culto à noite, eu deixo de sentir aquele buraco no peito quando entro em meu quarto e tranco a porta. Nem quando o louvor é arrebatador, ou sinto que minha pregação tocou fundo nos dilemas das ovelhas que o Senhor me confiou.

Não se trata apenas de libido. A sexualidade é boa e santa! É uma carência que transcende o simples físico, é metafísico! Não é algo que se resolveria com uma transa rápida às escondidas. Nem se resolve com uma união conjugal movida pelo desejo de transar. O que mais vejo entre os jovens e os que estão aos olhos da sociedade(inclusive da igreja) “ficando pra titia” é o casamento movido pelo direito de transar sem culpa e sem pecado. Alguns amigos meus inclusive, já caíram nesse arapuca, e esfrangalharam a vida. O que sinto é uma solidão que eu poderia preencher uma cama, mas manter-me solitário, pois é uma necessidade que é supra-cama!

Engraçado que sempre fico perplexo de ouvir que o Senhor supriu a carência de alguma “irmãzinha” ou “irmãozinho”,seja em qualquer dessas dimensões as quais discorri. 

 

  “Olha irmão, eu estava me sentindo tão só, tão carente, e aí clamei ao Senhor, e Ele veio e supriu minhas carências Ele veio e me envolveu em Seus braços!”

 

 Ora! Há necessidades que Deus não supre! E isso porque Ele quis que fosse assim. Porque Ele é Deus e é soberano! Logo, até o precisar de alguém é graça de Deus! Precisar de um cafuné é graça de Deus! De um afago no rosto! De um olhar de cumplicidade! Do toque!... Isso é uma necessidade que é graça de Deus! Dizer o contrário é negar graça! Salomão diz inclusive que nada melhor há sobre a terra que “comer, beber e gozar amores com a mulher(homem) da mocidade”.

Deus suprisse esses superespirituais que já ouvi, e eu diria que a criação de Eva é o maior embuste de todos os tempos. Deus bastaria para Adão! Mas Deus pôs alguma coisa no genoma, no DNA humano que necessita de outro ser humano para plenificá-lo! O que Deus faz é consolar através do Seu Espírito, e fortalecer a alma para a empreitada-em-solidão-até-que-a-solidão-se-dissipe.

Veja que o homem e Deus gozavam de um relacionamento pleno, despecabilizado e sem qualquer ingerência cósmica do mal. Faziam happy-hour todo dia no Éden. Faziam caminhadas juntos. Batiam muito papo. Deviam até jogar um bom xadrez ou pescar também; mas creio eu que havia algumas vezes que Deus olhava para Adão e sem nem mesmo necessitar perscrutar seu âmago, percebia-lhe o semblante descaído. Talvez até mesmo um dia Adão tenha confessado ao seu Amigo algo estranho:

 

 – “Meu Senhor. Sei que o que vou dizer-lhe é estranho, mas às vezes sinto necessidade de algo que nem mesmo eu sei o que é!”

 

              “Não é bom que o homem esteja só! Far-lhe-ei uma companheira!” – decide então a Santa Trindade numa reunião cósmica. E voilá!

 

Fico imaginando Adão olhando aquele “costelão” e como um menino que acabou de ganhar uma bicicleta dizendo:

                       

        “Esta sim é osso dos meus ossos e carne da minha carne”.

 

Essa frase de Adão sugere para alguns que tenha havido uma primeira Eva. Uma Eva que não deu certo. Um produto defeituoso. Pura fantasia desses “caras” que sabem muito de grego e hebraico, mas pouco de alma humana.

Adão fala como quem esperava por algo ou alguém que no próprio inconsciente já habitava corporalmente, mesmo não sabendo conscientemente discernir essa intuição inconsciente. Logo, isto indica que a mulher antes de ser, já era em Adão! Era um ser desejado antes da própria existência, no inconsciente do homem.

Talvez seja por isso que desacredito de toda e qualquer declaração de que não se precisa do sexo oposto para viver em plenitude. Isto porque sempre descubro por trás delas algum tipo de enfermidade da psique, nunca um real anelo do ser.

Bem, voltando a mim mesmo e aos meus próprios dilemas de solidão:

Hoje sinto que sinto o que Adão sentia naqueles primeiros dias! E espero que Deus se compadeça de mim e de todos os que se sentem sós, como se compadeceu de seu primeiro filho, e possamos dizer extasiados como o primeiro ser humano:

        “Enfim, essa(e) é osso dos meus ossos e carne da minha carne!”

 

        E então a solidão se dissipe como no Éden...

 

 

                                                                                                         Yeshua Shalom!

 

                                                                                                          Paulo

ÁPICE

 
 
 
Quero viver.
Ricardo Gondim

Quero viver sem as exigências religiosas que não consideram que sou pó. Não aceito mais que continuem demonizando minhas inadequações; não admito que tentem me oprimir com culpas legalistas. Estou, a duras penas, me construindo, portanto, não me submeterei a pedradas. Tento, Deus sabe como, ser sensível à voz do Nazareno e não tolero gritos demagógicos de falsos santos, que procuram mostrar ao mundo o que nunca foram.

Quero viver sem as cobranças impiedosas de quem só deseja me usar. Não, não pemitirei amizades pontuais e interesseiras. Decidi não mais conviver com colegas que cobram a correção dogmática de seus pares. Quero ser livre para pensar e não escandalizar, sonhar e não constranger, rir e não decepcionar, chorar e não entristecer. Para mim, chega de ambientes ajeitadinhos. Não quero ser hipócrita para só mostrar minha vida ou família através de fotografias, em que todos posam sorrindo.

Quero viver sem discursos idealizados. Não quero papagaiar conceitos e verdades tirados de livros teológicos, mas que não têm liga nenhuma com o drama humano. Chega de sermões recheados de jargões, que impressionam pela euforia, mas não significam coisa nenhuma na hora em que uma família tem que esperar no corredor da Unidade de Tratamento Intensivo ou retorna do cemitério. Recuso continuar promovendo ambientes religiosos emocionantes, restritos a momentos esporádicos. Não quero voltar para casa em paz e, cinicamente, abandonar os que me ouviram à dureza da vida.

Quero viver sem a obrigatoriedade de manter-me sempre coerente, grave, e acima de tudo, correto em minhas inquietações existenciais, filosóficas ou espirituais. Não quero continuar me conformando às expectativas dos fariseus de plantão. Não temerei os cenhos franzidos dos doutores da lei, que conhecem a raiz grega de cada palavra da Bíblia, mas são indiferentes ao sofrimento das multidões; prefiro caminhar ao lado de pecadores aos  ambientes asfixiantes dos fundamentalistas, onde as opiniões são tão fortes que não se toleram contradições.

Quero viver sem medo de rótulos. Quero carregar a memória do meu pai, que foi preso político, mas nunca cedeu em suas convicções, mesmo sob as ameaças da ditadura militar. Ele não escondeu seu socialismo quando isso significava receber o estigma de subversivo e terrorista.

Quero viver parecido com Jesus, meu grande herói. Ele foi livre, descompromissado com as instituições e amigo de marginalizados. Quero seguir seus passos ainda que incoerente, claudicante, perplexo ou apavorado.

Sei que essa aventura me consumirá pelo resto de minha vida, mas é o que quero.

Soli Deo Gloria.

8 January

APÓLOGO DA MATERNIDADE

 

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( Escrevi esse texto em homenagem a minha querida amiga Aline Ouriques de Ribeirão Preto, e a revelação que se me foi dada assim, sem premeditação filosófica ou teológica, confesso me encantou. Resolvi dividir com todos aqui no Prelúdio, em especial as mamães e futuras mamães!)

 

 

APÓLOGO DA MATERNIDADE

 

 

Doce mistério é a maternidade. Mistério esse que faz um serem dois no corpo, e dois serem um na alma. Mistério esse que supera a simbiose, posto que na simbiose um depende do outro para viver, e um morre sem o outro, ao passo que na maternidade, há um algo que parece ser simbiose na concepção primária do ser, mas depois o "um" não morre se o "outro" morrer, mas dá a vida para o outro viver. Logo, já não é uma relação que se pauta na morte, mas se pauta na vida. Relação que se pauta na morte, pode parecer boa, mas não é plena. Relação que se pauta na vida é a real-lação plenificada em Deus...

 

 

Yeshua Shalom

 

 

Paulo

Meu irmão que casou, o toco e eu

 

MEU IRMÃO QUE CASOU, O TOCO E EU

 

Fiquei olhando para ele ali no altar, dia 23 de dezembro deste ano de 2006, com a testa suando, gordo mas bonito, bem vestido com uma casaca preta e um sapato caprichosa e fulgurantemente engraxado,  enquanto a noiva adentrava a singela mas bela igreja amparada pelo pai.

 

Ali estava meu irmão caçula. O monstrenguinho preferido por minha mãe e odiado pelos outros irmãos.

 

 

Não pude deixar de sentir um pouco de culpa relembrando o dia em que minha irmã Juliana, incumbida de cuidar dele( na época ele tinha dois anos), colocou-o sobre um palanque da cerca de balaústres tão comuns nas cidades do interior, e deixou-o cair. Ele rachou a testa. Quase morreu. Eu estava ali do lado. Era menor que minha irmã, mas lembro que mesmo em minha tenra idade meu pensamento era de conivência, de “bem-feito”, “que morra”, “isso Lana, legal”.

 

Prodigiosa minha memória. Parece que foi hoje tamanha a intensidade das sensações: o cheiro das folhas de eucalipto forrando o quintal, das grandes mangas espadas avermelhadas e o barulho da cabecinha dele se chocando contra um toco no chão. Havia no rosto da Juliana um brilho no olhar meio enigmático, meio possesso – talvez não de um demônio espiritual, mas de um demônio de alma, daqueles que se alimentam do ódio.

 

Prodigiosa a minha memória. Pareço ver agora minha mãe correndo do tanque ao ouvir o grito. Avental na cintura. Pano amarrado na cabeça e desespero no olhar ao ver o seu “neguinho”(era assim que ela o chamava) estabacado ao chão, com um filete de sangue a escorrer-lhe pela testa pueril.

 

Aquele dia acho que tentamos matar nosso irmão! Não era uma tentativa de assassínio consciente. Juliana e eu éramos crianças também. Ela tinha dez anos e eu sete.

 

Fiquei olhando pra ele ali no altar, dia 23 de dezembro de 2006, com a testa suando, gordo mas bonito... A criança que um dia odiamos, hoje amamos com toda a alma; que tanto amaldiçoamos, hoje abençoamos, e mais ainda, Deus abençoou. A criança que quase matamos, Deus deu vida abundante, e fez um homem que deu certo!

 

O “neguinho” da testa ensangüentada, estava ali, 24 anos depois, com a testa novamente molhada, mas de suor, e de emoção. Era o Marcos que tomava Alessandra, a morena de formas bonitas e sorriso largo, beijava-lhe meio desajeitado a testa e a conduzia ao altar.

 

Novamente eu estava por perto. Expectador da história. Mas não como um expectador passivo. Na época eu poderia ter estendido meus braços para amortecer sua queda, mas não o fiz. Meus braços foram usados para a morte, posto que mesmo não os usando os usei, haja vista que quem deixa de fazer o bem faz o mal, quem deixa de tentar preservar a vida, consente com a morte. Desta vez estava eu como expectador ativo. E enquanto o padre repetia aquela ladainha religiosa com cruzes e águas-bentas, meus braços um dia usados para morte, eram levantados para a vida.

 

Eu havia me calado diante de Juliana, lançando-lhe apenas um olhar que oscilava entre “o que você fez?” e “que bom que você fez”. (Ele nem imagina isso que estou contando. Só o saberá quando ler este desabafo!) Pois bem! Os braços que se encolheram e a voz que se emudeceu um dia, agora voltavam-se para ele numa benção:

 

– Que o Senhor te abençoe e te guarde meu irmão! Que Ele faça o seu rosto resplandecer sobre ti; que Ele tenha misericórdia de ti. Que o Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz, hoje e sempre! Eu te amo!

21 December

APICE

 

DERRETA O GELO DESTE NATAL




É Natal. O Natal mais murcho que já vi. Um Natal de perus e de Noels cabisbaixos. Um Natal sem alegria e sem gentileza. Um Natal conforme os tempos “frios de amor” no qual vivemos. Sim, este está sendo um Natal cruel em todo o mundo!

Que Natal é este?

Este é o primeiro Natal não-cristão da humanidade ocidental nos últimos mil e setecentos anos.

Falava-se de “mundo pós-cristão” desde muito tempo atrás. Também se falava de “pós-modernidade” desde há muito. No entanto, mesmo que o “fenômeno” já fosse uma realidade cultural e religiosa, não havia ainda se tornado algo afetivo e emocional.

Ou seja: nas últimas duas décadas, mesmo já sendo este um mundo “pós-cristão”, cultural e religiosamente falando, ainda se tinha a “energia inercial” dos romantismos fraternos dos natais cristãos, a qual se manifestava ainda em muitas expressões de espírito de reconciliação e de fraternidade.

Neste Natal, entretanto, quase que de um modo geral, sente-se à desafeição do ano inteiro, prevalente como espírito, nas ruas, nas casas, nos olhares, nos gestos, nos desinteresses, no congelamento das afeições—conforme o que se vê o ano inteiro.

A humanidade Ocidental, agora, começará a saber como é viver num mundo no qual as Festas da Cristandade não têm nenhum significado, além do termo que a própria Casa Branca, dos crentes americanos, já adotou. Ao invés do Merry Christmas de sempre—o que ainda remetia para a cristandade—, agora, pelo segundo ano, adotou o politicamente correto Happy Holidays.

Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Mas isto não tem nenhuma importância, visto que a maravilha da Encarnação deve ser a loucura nossa de cada dia.

O que sinto falta é da gentileza que parecia ressurgir dos mortos ante o romantismo do dia do ‘Nascimento de Jesus’.

E não sinto falta disso para mim mesmo, mas apenas como lamento de quem vê como as pessoas vão ficando a cada dia mais geladas.

Meu Natal é o ano inteiro, pois, quem quer que deseje viver o espírito do Evangelho, viverá da fé na Encarnação cada segundo de seu existir.

A Era Glacial começou!

Bem-aventurado seja todo aquele que não se deixar gelar!



Só há um antídoto contra o Natal de Selo: o amor que se dá; e que também valoriza pai, mãe, irmão, amigo, família, e, sobretudo, a paz.

Feliz Natal Interior!


Nele, que só nasce em corações,






Caio

 

Rufino Paulo

職業
Me definiria como um poeta q ainda, de forma ilapsa, ingênua talvez,crê numa Revolução onde o Evangelho ñ s compra nem s vende;onde o Reino dos Céus seja um reino de Consciência,e essa Consciência seja inexorável,indestrutível, inegociável... "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena".(Fernando Pessoa)
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